Ensaio gestante em casa (ou: dá pra chamar documental de ensaio?)

ensaio gestante piracicaba

 

Sabe, eu tenho uma coisa com nomes, às vezes – sou daquelas pessoas impossíveis e chatas, que querem esclarecer minúcias que, na prática, nem sempre fazem diferença, e que tornam impossível uma resposta simples. Desculpe se eu já fiz isso com você, juro que não é por mal. É que eu não consigo mesmo responder sem fazer perguntas antes – tipo com a coisa do “ensaio gestante”.

As pessoas às vezes me perguntam se eu faço “ensaio gestante”. E em vez de responder sim ou não, é um trabalhão danado a resposta, porque depende – depende do que a você entende como ensaio gestante, do que você visualiza quando imagina um ensaio de gestação assim.

Situação 1:

Se você chama de ensaio gestante uma coleção de fotos contendo:

  • vários retratos da gestante parada, olhando para a câmera ou pra barriga ou pro filho;
  • a gestante de top, com a barriga de fora, não porque ela usa top, mas só pra barriga aparecer na foto;
  • a gestante segurando sapatinhos, balões ou letras com o nome do bebê;
  • o pai ou o filho beijando a barriga só pra foto;
  • poses dirigidas, pessoas esperando que eu diga o que fazer, onde colocar a mão etc.

Não, gente, assim eu não faço, mas que fique claro: tenho nenhum problema com isso – é só que eu não sou a pessoa certa pra esse tipo de ensaio gestante; quando alguém me procura querendo um trabalho assim eu normalmente indico fotógrafos bons nisso, e vamos manter a amizade, ok? 🙂

Situação 2:

Mas se você é como eu e algumas famílias que eu fotografo, dá pra imaginar um ensaio gestante diferente disso tudo, com fotos que documentam o momento de vida da família – que vai muito além da barriga – sem pose, sem encenação, com mais vida real e menos trocas de roupas sem propósito. E aí, opa! Assim eu faço! 

(Mas, rapidinho, voltando na questão do meu problema com nomes: não vamos chamar isso de ensaio gestante, não, vai? Ensaios pressupõem direção de quem fotografa; eu chamo isso aí de sessão fotográfica, sessão documental, fotografia de família documental… sei lá, pode escolher. Mas não dá pra chamar de ensaio gestante, cê não acha?)

Eu nem lembro se tive essa conversa toda com a Carol, porque desde que ela me escreveu a primeira vez a gente já falou de tanta coisa! Mas ela já me procurou querendo uma fotografia de cotidiano, sem pose, documental, pra marcar a gestação da Inês, pra registrar a família dela enquanto eles ainda eram 3. A gente conversou muito antes e decidiu dividir a sessão documental da gestação em dois dias, pra dar conta de registrar rotinas diferentes da família: em um dos dias, só ela com o filho e, no outro, a família completa, numa manhã de sábado comum deles.

As pessoas me perguntam às vezes como funciona a fotografia documental, como que faz, o que eles precisam fazer no dia de fotografar pra ter imagens bonitas. Eu acho engraçado – não pela pergunta, mas porque a resposta é simples demais: nada.

Veja só: nos dois dias em que fotografei a família da Carol, eles não precisaram fazer nada – quando eu digo “nada”, quero dizer nada diferente, nada que não fariam normalmente. Eu acho graça em dizer isso porque sei o que parece: se você não fizer nada, vai fotografar o quê, então, né?

Eu te respondo essa. Vou fotografar isso tudo aqui, ó, dê um play:

Reproduzir vídeo

 

Dessa lindeza toda, nada, absolutamente nada, foi encenado. Eu não disse onde eles deviam ficar ou que deviam fazer; zero pose, zero direção: só o fluxo normal deles, em casa, vivendo o cotidiano que nem parece, mas é lindo pra caramba. A rotina deles seguiu normalmente, com direito a café da manhã, banho juntos, brincar no chão, churrasco – todas coisas que já fazem parte da vida deles e que, justamente por isso, vão construindo as memórias reais. Eles ficaram à vontade, eu fiquei à vontade, conversamos muito e descobrimos até uma coincidência incrível que eu vou contar em outro post.

E daí, voltando lá no ponto de eu ser ou não a pessoa certa pra determinado tipo de fotografia: tem a ver com o que eu acredito, e essa sessão da Carol ilustra muito isso. Eu acredito que a fotografia de família precisa remeter a histórias reais, a quem somos, a memórias afetivas. Que ela precisa mostrar a casa em que vivemos, o que fazíamos, como eram nossas manhãs, nossas vidas, nosso mundo. ♥

Do que você quer lembrar?

As fotos que você faz representam sua vida de verdade, as cenas que farão parte das suas memórias reais? Já parou pra pensar nisso?

Andamos com uma câmera 24 horas por dia no nosso bolso, temos um milhão de fotos em nossos smartphones, computadores e tablets, mas, se não estivermos atentos, corremos o risco de perder as oportunidades de fotografar justamente aquilo que a gente quer lembrar pra sempre.

O resultado é encontrar muitas selfies e poses, mas pouca vida de verdade nas imagens. E é daí que surgiu a ideia de fazer um material que pudesse ajudar as pessoas a fazerem, elas mesmas, mais imagens com intenção e significado da própria família. Um jeito de elas entenderem um pouquinho o que o meu olhar vê na vida delas quando eu fotografo.

Esse guia é para inspirar você a criar um acervo de fotos com propósito e significado para a história da sua família. Um documento sentimental. Algo que vá além de poses e de selfies: uma narrativa visual que vai ser uma herança linda para a sua família no futuro.

Gostou da ideia? Vem comigo!

Fotografia documental de família: como “funciona”

Antes de tudo, uma observação: este artigo faz parte de uma série maior, que fala sobre fotografia documental de família, explica a diferença entre a fotografia documental e a fotografia lifestyle, como funciona uma sessão de fotografia documental, o universo e além. Você pode ler a primeira parte dele aqui.)

Então, vamos lá. 🙂

A fotografia documental de família é um estilo de fotografia marcado por um olhar documental, fotojornalístico. Na prática, isso significa que o fotógrafo não dirige ou controla as ações (não pede poses, nem diz o que as pessoas devem fazer), nem modifica ou interfere no ambiente. Desse jeito, a fotografia documental de família sempre resulta em imagens espontâneas e que refletem o que aconteceu de verdade – seja num dia comum em família ou num evento, por exemplo.

Bom, essa é a parte fácil de explicar, na verdade, e que todo mundo entende. A parte difícil de explicar a fotografia documental de família vem pra mim em forma de perguntas assim:

  • Mas se você não vai me pedir pra fazer nada, então você vai ficar a manhã toda me fotografando fazendo nada?
  • E se eu não souber o que fazer enquanto você me fotografa?
  • Eu não posso olhar pra câmera, então? Tenho que fingir que você não está lá?
  • E se as crianças ficarem de mau humor/fizerem birra/se sujarem/tiverem sono/fome?

Então, vamos por partes: vamos responder essas perguntas. Mas daquele jeito que eu gosto: com imagens! 🙂

 

Mas se você não vai me pedir pra fazer nada, então você vai ficar a manhã toda me fotografando fazendo nada?

Não vou te fotografar fazendo nada, até porque não dá pra não fazer nada – com certeza você vai fazer alguma coisa.

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Cuidar das demandas matutinas que a vida com crianças tem, preparar o café da manhã e tomar um café no meio do dia, por exemplo, são alguma coisa. 🙂

 

E se eu não souber o que fazer enquanto você me fotografa?

Você vai saber, porque nossa história começa antes do dia de fotografar.

Nós trabalhamos juntos desde o dia em que fechamos o contrato: você vai receber um questionário e vamos conversar por telefone (ou, se você for de Piracicaba, podemos marcar um café!). Tanto o questionário como nossa conversa me ajuda a entender o que é especial e importante na história e no momento atual da sua família. Vamos falar sobre suas rotinas, sobre o que vocês mais gostam um no outro e sobre o que vocês gostam de fazer quando estão juntos, por exemplo. Podemos falar também sobre outros lugares, fora de casa, que são especiais para vocês.

Essa conversa e o questionário ajudam vocês a identificarem as coisas que são mais valiosas na relação e no cotidiano de vocês hoje, e acabam dando ideias sobre o que vocês gostariam que fosse fotografado. Isso dá um norte para programarmos o dia e também me dá informações que me ajudam a construir imagens ainda mais significativas para vocês.

A fotografia documental de família pode ser feita em casa ou fora – depois de conversarmos um pouquinho, vai ficar fácil você perceber onde estão os momentos especiais de vocês.

 

Eu não posso olhar pra câmera, então? Tenho que fingir que você não está lá?

Pra visualizar melhor essa parte, pense que eu sou uma visita na sua casa.

Uma visita do tipo legal.

E com uma câmera na mão. 🙂

Eu vou conversar com vocês, naturalmente. E com as crianças. E às vezes com bichos e plantas também, se eu estiver especialmente inspirada. Então, você vai acabar agindo naturalmente também e, às vezes, vai olhar pra mim – e isso não tem problema nenhum e não faz nossa fotografia menos documental. Às vezes você vai olhar pra mim e minha câmera vai estar apontando para você, mas às vezes, não (com as crianças, na maioria das vezes, é sempre sim; elas são especialistas em olhar pra câmera bem na hora – e, igualmente, nenhum problema com isso, certo?).

A propósito, eu sou mesmo uma visita legal. E sempre aceito café. 🙂

 

Como eu disse: crianças são especialistas nisso. 🙂

 

E se as crianças ficarem de mau humor/fizerem birra/se sujarem/tiverem sono/fome?

A resposta oficial é: a gente fotografa também, uai! Afinal, fotografia documental de família é pra isso também: pra lembrar das caretas, das fases difíceis, da sujeira e dos banhos, das sonecas da tarde. Eles crescem e tudo isso um dia passa – e eu te garanto que você vai sentir saudade. 🙂

Mas a resposta que eu gosto mais vem sempre em imagens:

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Fotos em casa: tipos de ensaios fotográficos

Eu quero falar sobre fazer fotos em casa. Mas, antes, uma introdução:

Eu nunca pensei que fosse escrever sobre superpoderes aqui. Mas lá vai.

Meu filho anda na fase dos heróis. Então, sempre temos conversas que giram em torno de poderes que gostaríamos de ter e o que faríamos com eles. Esses dias eu estava tentando responder a pergunta que eu mais ouço/leio, e me ocorreu que eu gostaria de ter aquele poder de fazer as pessoas visualizarem as coisas que estão na minha cabeça. Como é nome disso? Não sei. Mas pensa naquela cena de À Espera de Um Milagre, quando o Coffey pega na mão do Paul e “conta” a história verdadeira pra ele sem dizer uma palavra, como se passasse um filme direto pra cabeça dele – acho que dá pra entender o que eu quero dizer. (e se você não tiver ideia do que eu estou falando, onde você estava em 1999? assista este filme).

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(Não tem nenhum herói que meu filho conheça que faça isso, então eu não sei o nome desse superpoder. Se você souber, me conta?)

Eu queria esse poder pra pegar na mão de cada pessoa que me pergunta como funciona uma sessão de fotos em casa e poder explicar de uma forma visual, e não com um texto gigante.

(ou com vários áudios de WhatsApp mais longos do que eu tenho coragem de escrever aqui, cof, cof).

(Eu poderia dizer também que gostaria de ter um vídeo que me mostrasse trabalhando, mas essa seria uma introdução menos interessante pra esse texto; mas enfim, não tenho o vídeo também).

Então, já que eu não tenho esse superpoder (nem o vídeo), eu decidi escrever um texto gigante.

Mas, pra ele ficar um pouco menos gigante, eu vou quebrá-lo em textos menores. Esta é a primeira parte, e os links para os próximos textos estão lá no final.

Antes de tudo, eu acho importante a gente nivelar uma informação básica, que começa com a primeira resposta que eu dou pra quem me pergunta sobre como é fazer fotos em casa. A resposta é:

depende do tipo de foto.

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Pode reclamar, se quiser, porque eu também reviro os olhos e faço caretas pra respostas que começam com “depende”. Mas é que nesse caso depende mesmo, uai.

Então, pra nivelar, vamos imaginar dois “tipos”, duas abordagens/olhares/estilos de fotografia que podem ser feitas em casa.

  • fotografia lifestyle
  • fotografia documental

Uma pausa pra duas observações importantes aqui: a primeira é que existe ainda a fotografia de estúdio em casa (o fotógrafo leva um estúdio portátil para a casa do cliente). Mas como normalmente esse tipo de fotografia não mostra a casa, e sim um fundo de estúdio, eu não incluí nessa lista. E a segunda observação é que há inúmeras nuances aqui, e as linhas que dividem esses tipos de fotografia às vezes são tênues. Cada fotógrafo trabalha de uma forma e alguns “navegam” entre os estilos durante um ensaio fotográfico.

 

A diferença?

Tanto a fotografia lifestyle como a fotografia documental podem ser feitas usando sua casa como cenário, e ambas rendem imagens que a maioria das pessoas chama de “espontâneas” e “naturais”. Apesar disso, elas são diferentes tanto no resultado estético como na experiência durante a sessão.

Fotos em casa com abordagem lifestyle

Na fotografia lyfestyle, as imagens têm uma espontaneidade controlada e induzida. Normalmente o fotógrafo escolhe os lugares da casa em que as fotos serão feitas e pede para que a família faça alguma coisa ali. Depois de fazer algumas fotos, escolhe outro lugar e repete o processo. “Pedir alguma coisa” pode ser olhar um para o outro, caminhar, regar uma planta. Também pode ser fazer cócegas, jogar uma criança para o alto, abraçar, beijar, sorrir, pular na cama. Cada fotógrafo tem seu estilo de direção, e o resultado é sempre uma combinação disso com o estilo da família.

As imagens de uma sessão lifestyle tem elementos de espontaneidade, mas que foram provocados por um fotógrafo, especificamente para fazer aquelas fotos.

Fotos em casa com abordagem documental

Na fotografia documental, via de regra, não há direção, então a espontaneidade é “crua”. É comum haver uma conversa e o acerto de um roteiro antes de fotografar, mas o fotógrafo não vai escolher o lugar da casa em que vai fotografar, nem pedir para você fazer nada. Ele vai fotografar o que acontecer, no ambiente em que acontecer.

As próximas imagens são de sessões de fotografia documental. Eu só estava lá, acompanhando uma parte de um dia com as famílias, e elas aconteceram. De forma espontânea, sem que eu escolhesse quando e onde – e eu acho que se eu tivesse tentado fazer isso, nem conseguiria.

Como escolher

Eu poderia fazer um quadro com as “vantagens e desvantagens” de cada tipo de fotografia em casa aqui, mas às vezes o que eu vejo como desvantagem pode ser uma vantagem para você. Então, em vez disso, vou tentar traçar um perfil do que normalmente as pessoas buscam.

 

Fotografia lifestyle é para você se:
  • você quer fotos mais “perfeitinhas”, retratos com roupas combinando ou poses parecidas com outras fotos que você viu no Pinterest;
  • você quer fotos em que todos apareçam sorrindo e felizes;
  • sua família não se importa em ser dirigida; e
  • seu motivo para fazer fotos é ter imagens de vocês, todos bonitos e sorridentes, para colocar nos porta-retratos espalhados pela casa.

 

Fotografia documental é para você se:
  • você abraça a imperfeição, não liga para poses e não faz questão de fotos perfeitinhas com roupas combinando;
  • você quer olhar para uma foto daqui 30 anos e lembrar de como era sua vida hoje;
  • sua família não gosta de ser dirigida;
  • você quer que a personalidade de cada membro da sua família apareça nas fotos (mesmo nos momentos de choro ou mau humor);
  • você vê beleza em cenas do cotidiano, mesmo que ele não seja perfeito (nunca é, né?); e
  • seu motivo para fazer fotos é ter imagens da sua vida real (que vão ser suas memórias no futuro), uma herança sobre a história da sua família – e (por que não?) colocá-los nos porta-retratos espalhados pela casa.

Como eu fotografo

Faz um tempo, eu escolhi a abordagem documental – ou ela que me escolheu, eu ainda não sei ao certo. O que eu sei é que eu tentava fazer lifestyle quando comecei a fotografar, mas sempre tinha uma parte dos ensaios que eu deixava correr solta, e adorava “roubar” fotos, e essas eram sempre as melhores. Elas falavam com meu coração de uma forma que as outras não faziam. Demorei um tempo pra entender.

Do jeito que eu vejo hoje, a fotografia documental tem uma camada extra: a memória real, a vida de verdade. Daqui 10 anos, as famílias que eu fotografo vão olhar essas fotos e não vão lembrar só que fizeram uma sessão de fotos em casa. Elas vão ver imagens que vão povoar as memórias delas: o café da manhã que faziam juntos, a brincadeira preferida da época, as personalidades das crianças que já vão estar crescidas.

Isso é lindo de imaginar, e é o que eu escolhi construir com a minha fotografia.

 

O próximo passo

No próximo post eu vou explicar em detalhes como funciona e o que acontece durante as sessões de fotografia documental que eu faço. Se você gostou da ideia e acha que é seu perfil, vem comigo:
 
 

fotógrafa-familia-premiada

Fotografia premiada pela FPJA (Family Photojournalist Association). 2017.

10 on 10 – October

(post em PT & EN)

A primavera trouxe os ipês floridos e mais uma mudança de casa pra gente – nós vamos morar na cidade agora! (imagine aqui seu gif preferido de comemoração dançante)

Gael está amando seu cabelo curto. E perdeu dois dentes de leite. E descobrimos que ele vai ter que usar óculos.

Didi está no final de um processo seletivo pra um colégio que vai levá-la pra outro estado por três anos.

A expectativa: eu tinha grandes planos de fotografar e documentar tudo isso durante setembro, eu juro. Idealizei cenas com caixas montadas ao fundo, Gael se divertindo pintando as paredes, todo mundo sorrindo de expectativa e felicidade. Aquelas coisas que a gente vê em bancos de imagens.

A realidade: estamos atolados em caixas, com chaves das duas casas, e nenhuma delas tem um único cômodo em ordem – e lá vou eu falar de novo sobre minha vida se tornar um caos.

Eu mal tive tempo de fotografar em setembro, essa é a verdade. De novo, fotografei mais com celular do que com a câmera. E quase não tive tempo de postar no 10 em 10 de outubro, mas lá vai: cenas soltas do nosso mês de setembro – fico devendo as cenas divertidas para a próxima mudança hahaha (existe um jeito de arrumar mudança ser divertido, afinal?).

Esse é um post do 10 on 10, uma postagem coletiva com fotógrafas de vários países – todo dia 10 postamos 10 fotos do mês anterior, e linkamos o trabalho de outra fotógrafa do grupo, até fechar um círculo. Clica aqui e vai lá conhecer o trabalho lindo da Colie James. ♥

Spring brought the flowery ipês and another house moving for us – we are going to live in the city now! (imagine here your favorite dancing celebration gif, please)

Gael is loving his short hair. And he lost two baby teeth. And we find out he’s going to have to wear glasses.

Didi is at the end of a high school selection process that can take her to another state for three years.

The expectation: I had great plans to photograph and document all that during September, I swear. I imagined scenes with boxes set in the background, Gael having fun painting the walls, everyone smiling with anticipation and happiness. Those things that we see in image banks.

The reality: we are bogged down in boxes with keys from the two houses, and none of them has a single room in order – and there I go again to talk about my life becoming chaos.

I barely had time to shoot in September, that’s the truth. Again, I photographed more with cell phone than with the camera. And I almost did not have time to post on October’s 10 on 10, but here it goes: some loose scenes from our September – I’m due the fun scenes for the next move, ok? (is there a way to arrange house moving to be fun, anyway?).

This is a 10 on 10, a collective post with photographers from several countries – each month, on 10th, we post 10 personal images from previous month on our blog and link to each other, so we form a circle. Go and see Colie Jame’s beautiful work. ♥

 

10 on 10 – August

(post em PT & EN)

Julho é sempre mês de férias escolares e caos. Mas ó, foi um mês de muita coisa linda.

Uma delas? Ter sido convidada para participar do 10 on 10, uma postagem coletiva com fotógrafas de vários países – todo dia 10 postamos 10 fotos do mês anterior, e linkamos o trabalho de outra fotógrafa do grupo, até fechar um círculo. O grupo tem fotógrafas dos Estados Unidos, da Finlândia, de Kuala Lumpur, do Alaska, Inglaterra… é maravilhoso e inspirador ver trabalhos e olhares tão diferentes!

O resto das coisas lindas? Tá aqui ó, no meu primeiro 10 on 10, pro qual selecionei um pouquinho do que documentei do nosso mês de férias: crianças em casa, figurinhas da Copa, declarações de amor no box do banheiro, piscina, pula-pula, viagem, passeios pela cidade – tudo isso junto e misturado no meio do nosso cotidiano.

Julho também foi o mês de eu me desafiar a fotografar mais com o celular; na maioria das vezes, saí de casa sem a câmera, e preciso confessar: ando gostando do resultado – mais da metade dessas fotos foram feitas com celular, que é o que fica mais à mão na maior parte do tempo (já mencionei férias escolares e caos? Ah, tá). 🙂

Fica aqui com meu mês de julho, e depois vai lá ver o trabalho ma-ra-vi-lho-so da Sarah Rypma, do Michigan, Estados Unidos. ♥

July, the oficial month for school vacations and chaos. But I need to say: it was a month full of beautiful things.

One of the beautiful things? I have been invited to participate in 10 on 10, a collective post with photographers from several countries –  each month, on 10th, we post 10 personal images from previous month on our blog and link to each other, so we form a circle. The group has photographers from United States, Finland, Kuala Lumpur, Alaska, England… it’s wonderful and inspiring to see such different works, their works are beautiful!

The rest of the beautiful things? They’re here, on my first 10 on 10, for which I selected a little bit of what I documented from our vacations month: children at home, World Cup cards, declarations of love on the bathroom box, swimming pools, trampoline, travel, tours through the city – all together and mixed in the middle of our daily lives.

July was also the month when I challenged myself to take more photos with my cell phone; most of the time, I left the house without the camera, and I must confess: I like the result – more than half of these photos were made with a cell phone, which was the most handy most of the time (did I mention school holidays and chaos already? OK). 🙂

Stay here with my month of July, and then go and see the wonderful work of Sarah Rypma, from Michigan, US. ♥

 

  

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Fotos de gestante em casa

Eu amo quando uma família me chama pra fazer fotos de gestante em casa.

Sempre gostei de fotografar na casa das pessoas. Mas, desde que me reconheci como fotógrafa documental aqui em Piracicaba – assim, com esse “rótulo”, mesmo –, percebi que a maioria das famílias que me procuram para fotos de gestante em casa já têm pelo menos um filho. É bem raro um casal na primeira gestação se interessar em fazer um registro documental.

Ando tentando descobrir ainda os porquês. Meu primeiro palpite é que um dos motivos é falta de referência visual, mesmo. Eu, que sou fotógrafa e acompanho uma porção de outros fotógrafos e fotógrafas documentais de família daqui do Brasil e de fora, raramente vejo sessões com gestantes do primeiro filho. Então imagina só quem não acompanha, né? A gente anda muito acostumado em ver só ensaios em estúdio e em parques. Às vezes até temos contato com ensaios feitos em casa, mas com uma abordagem mais lifestyle, não documental.

Outro palpite é que casais grávidos do primeiro filho talvez pensem que não tem nada “fotografável” no dia a dia deles.

Deve haver outros motivos, claro. Mas pra dar conta desses dois, o que eu sempre pergunto é: onde fica sua história? Do que você quer lembrar/guardar dessa época da sua vida? E toda vez que eu penso nisso, tenho certeza que sempre há coisas lindas. E que elas podem ser documentadas do jeito que elas são, mesmo. Sem pose, sem encenação. Fazer fotos de gestante em casa, com olhar documental, te permite registrar a casa em que você morava enquanto estava grávida, antes de ela ser entupida de fraldas, brinquedos e protetores de porta; a relação entre vocês antes de um filho nascer; aquele gostinho de arrumar um quarto de bebê que está pra chegar.

Foi assim a sessão documental da Vanessa e do Helder esperando a Maria. Eles me contaram que queriam uma fotografia de gestação documental, sem pose, que mostrasse uma manhã de sábado comum deles – com a diferença de que, naquele sábado, eles arrumariam o quarto da Maria.

Um café da manhã fora (que provavelmente a chegada da Maria vai mudar um pouquinho, pelo menos por um tempo, hehehe), a arrumação do quarto com um pai que é mestre em organização de gavetas, muito carinho, muitas risadas, muitas histórias. Acho que a Maria vai mesmo gostar de ver a história dela assim um dia. ♥