Fotos de gestante em casa

Eu amo quando uma família me chama pra fazer fotos de gestante em casa.

Sempre gostei de fotografar na casa das pessoas. Mas, desde que me reconheci como fotógrafa documental aqui em Piracicaba – assim, com esse “rótulo”, mesmo –, percebi que a maioria das famílias que me procuram para fotos de gestante em casa já têm pelo menos um filho. É bem raro um casal na primeira gestação se interessar em fazer um registro documental.

Ando tentando descobrir ainda os porquês. Meu primeiro palpite é que um dos motivos é falta de referência visual, mesmo. Eu, que sou fotógrafa e acompanho uma porção de outros fotógrafos e fotógrafas documentais de família daqui do Brasil e de fora, raramente vejo sessões com gestantes do primeiro filho. Então imagina só quem não acompanha, né? A gente anda muito acostumado em ver só ensaios em estúdio e em parques. Às vezes até temos contato com ensaios feitos em casa, mas com uma abordagem mais lifestyle, não documental.

Outro palpite é que casais grávidos do primeiro filho talvez pensem que não tem nada “fotografável” no dia a dia deles.

Deve haver outros motivos, claro. Mas pra dar conta desses dois, o que eu sempre pergunto é: onde fica sua história? Do que você quer lembrar/guardar dessa época da sua vida? E toda vez que eu penso nisso, tenho certeza que sempre há coisas lindas. E que elas podem ser documentadas do jeito que elas são, mesmo. Sem pose, sem encenação. Fazer fotos de gestante em casa, com olhar documental, te permite registrar a casa em que você morava enquanto estava grávida, antes de ela ser entupida de fraldas, brinquedos e protetores de porta; a relação entre vocês antes de um filho nascer; aquele gostinho de arrumar um quarto de bebê que está pra chegar.

Foi assim a sessão documental da Vanessa e do Helder esperando a Maria. Eles me contaram que queriam uma fotografia de gestação documental, sem pose, que mostrasse uma manhã de sábado comum deles – com a diferença de que, naquele sábado, eles arrumariam o quarto da Maria.

Um café da manhã fora (que provavelmente a chegada da Maria vai mudar um pouquinho, pelo menos por um tempo, hehehe), a arrumação do quarto com um pai que é mestre em organização de gavetas, muito carinho, muitas risadas, muitas histórias. Acho que a Maria vai mesmo gostar de ver a história dela assim um dia. ♥