Ei, um olá pra você!

Meu nome é Carla, tenho 35 anos e fotografo desde 2011. Já morei em uma porção de lugares e hoje vivo em Piracicaba. Eu gosto de pé na terra, de barulho de chuva, de cozinhar sem pressa, de livros de papel de verdade, de música boa e daquelas traquitanas estilo “faça você mesmo” para decorar a casa. Como em casa de ferreiro o espeto é de pau, não me acho fotogênica e comemoro sempre que acerto uma selfie. Sou mãe do Gael, o Menino Amarelo que encantou minha vida e me fez descobrir na fotografia um jeito novo de ter dias felizes.

Minha história com a fotografia é daquelas que não parece muito promissora no começo: eu adorava gastar as tardes mansinhas com aquelas caixas de sapato onde minha mãe guardava as fotografias, e aquelas imagens da minha família, de gente que eu conheci e que eu não conheci também, até hoje me ajudam a construir memórias, histórias e sorrisos. Mas além dessa consciência, dessa importância que eu dava para as fotos da família, eu não tinha ferramentas: não tive uma câmera na infância e nunca pensei em fazer nada que passasse perto de qualquer arte visual – meus talentos nessa área só me permitiam desenhar bonecos palito esquisitos e casinhas tortas com chaminés mais tortas ainda.

Mas história boa é história com reviravolta, e tudo mudou quando eu encontrei a fotografia numa dessas esquinas da vida: no meio de uma grade meio monótona da graduação em Editoração, lá na USP, ela apareceu. Foi amor ao primeiro clique, virou o hobby da vida. E então veio o Menino Amarelo, que me deu disposição pra buscar caminhos diferentes, mais cheios de sorrisos e de histórias pra contar – e então eu tomei coragem pra largar a carreira editorial e fazer a fotografia virar profissão.

Gael nasceu em um parto humanizado, em casa, e meu trabalho fotográfico logo se voltou para o universo dos nascimentos e da fotografia de família. A fotografia de parto me levou a fazer o curso de doula pelo GAMA, em São Paulo, e a organizar vários workshops de fotografia de parto em São Paulo e no Rio de Janeiro, além de consultorias para fotógrafos de outras regiões do Brasil. Em 2013, junto com uma amiga, publiquei o Projeto 1:4 – retratos da violência obstétrica, tentando dar voz a histórias de quem viveu a outra ponta do cenário de assistência ao parto.

Além dos partos, que sempre me encantam e trazem um componente emocional muito forte, gosto de fotografar essa lindeza toda que a gente vive no dia a dia e, às vezes, nem se dá conta: pula-pula e cambalhotas no sofá e na cama, gargalhadas tão boas que até despenteiam, histórias antes de dormir; abraços apertados, sorrisos banguelas, mãos gordinhas na boca; a primeira vez de sujar o pé na terra ou na areia da praia, as brincadeiras entre irmãos, as primeiras engatinhadas e os primeiros dentes; o banho de mangueira no quintal, o balanço e a gangorra bem altos – tudo o que é doce e feliz quando a gente compartilha o mesmo teto com alguém e que faz esse bem danado quando vivemos e quando lembramos muitos anos depois, como a caixa de sapatos cheia de fotos no guarda-roupa da minha mãe.